bem, eu não li minha primeira resposta, qualquer contradição será dialética à parte. falando em dialética, eis um dos muitos conceitos que compreendo muito pouco. a hegeliana, pela wikipedia, parece mais compreensível, mas a marxista, nunca cheguei nela. então não faço a mínima ideia do porquê que eu fico insistindo em usar nomes que eu não sei que de fato significa. foi exatamente o que a ciça me disse na banca do meu tcc, sabia? ela disse, os escritores geralmente se preocupam em achar a palavra exata para designar o sentido das coisas, mas você não, você flutua e é ambígua, essa é sua potência, mas pode ser sua maior fraqueza.
(eu nunca tinha escrito isso e tenho me esquecido demais, espero que isso sirva pra de fato penetrar em mim)
então, vou tentar conversar diretamente e sem florear tanto: seu texto e o trecho do vídeo me lembrou a brisa que eu tive numa matéria da fflch sobre poesia marginal. só por conta dessa aula é que eu consigo relacionar torquato e belchior. a matéria começava com torquato, que embora eu quisesse muito gostar, na verdade eu não conseguia lê-lo, ler, de fato. bem, isso foi em 2014. acho que eu ouvia muito belchior em 2014, e o que eu queria fazer de trabalho final era relacionar a poesia marginal com belchior. era um pouco ousado demais, eu acabei fazendo da ana cristina césar, que além de já ser parte do programa, era, veja bem, feminista.
(eu comprei a edição nova e póstuma dela da companhia das letras e nunca li inteiro. bem, o que eu verdadeiramente amei em ana c foram as suas fotos, o suicídio e a sua prosa. alguns poemas, mas não os mais complexos. foi com ela que eu aprendi o que é bliss - uma linda palavra exata. bem, o que eu amei em ana c foi o ídolo, o que eu amei em belchior foi o ídolo e eu fui até aonde os ídolos não me deixavam ver, ver, a obra).
para te explicar por quê é que eu queria relacionar poesia marginal com belchior, busquei no meu facebook um poema que eu publiquei, um poema que eu nunca esqueci, embora eu esqueça sempre o nome do seu autor. neste raro caso entre as minhas paixões, a obra ressoa mais que o nome.
apresentei-lhe o poema, agora falo um pouco da poesia marginal. foi só lendo os textos dessa matéria que eu pude compreender coisas que eu fingia entender: a tropicália e o cinema novo/ a pós-tropicália e o cinema marginal. o antes e o depois do ai-5.
tanto tropicália quanto cinema novo eu consumi por obrigação, eu gostei por conveniência. respira-se neles aquela explosão, o projeto de mundo, energia de juventude, o ato artístico e revolucionário. o ai-5 afunda todos os sonhos, engaveta os projetos, manda os caras pro exílio ou os incorpora ao discurso oficial, disso estamos cansados de saber.
o marginal é o depois e o fora de qualquer esquema econômico oficial; o marginal é o não-exílio, mas escrever sobre sair para comprar um pão, andar de avião, ir ao cinema, janelas e carros e de um desespero que não se sabe nem como falar sobre. é niilismo e nostalgia. é a helena ignez falando planetinha, é a ilha dos prazeres ser o guarujá. tudo está tão próximo e distante; quanto mais próximo, mais distante.
continuam a nos vender a tropicália como o supra-sumo e genialidade, a referência de qualquer arte produzida e a se produzir - mas a nossa existência foi atravessada por décadas de indivíduos sem qualquer projeto de mundo. por indivíduos que pareciam viver na eterna ressaca do tempo histórico, vendo filmes sobre aliens e fim de mundo. e que se produziam poética, era só o alcance da vista, das próprias mãos, do dentro, do corriqueiro. e que não podiam mais reivindicar, deste modo, o trono do mundo.
e é com eles, acho eu, que a nossa geração, realmente, se encontra. é por eles que explode a paixão da nossa geração, é à esse modo de fazer política que nos reportamos (ver: diretores chatíssimos que referenciam cinema marginal).
mas o que diabos, me diz, o que somos nós? em uma linha contínua de desesperança e pequenez, do que é feito o nosso bliss?
nestes últimos meses, tiraram da tumba da memória direto pro hall da fama, a ana c, o belchior, até o cacaso. eu não sei, realmente não sei mais, por quê é que estamos transformando em ídolos a quem justamente negou seus próprios ídolos? por quê é que não estamos amando nossos ídolos como se deve amá-los? por quê é que estamos subvertendo as suas escolhas políticas?
como é que se ama alguém sem transformá-lo em ídolo e mercadoria?
como é que se ama alguém corriqueira, pequena e desesperançada?
amar alguém em angústia, talvez.
mas é amargo. e também me dá ânsia de vômito.
espero que eu não tenha feito muito womansplainning,
um beijo.
e ah, sim, eu atrasei horrores, e agora atrasarei no mínimo 1 mês (a não ser que eu escreva dum celular em pela croácia), fica a seu critério as consequências legais deste contrato.

Nenhum comentário:
Postar um comentário